Os famosos Molossus

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Vou falar um pouco sobre os bastidores do projeto bahamut 612. Estou organizando a próxima etapa do projeto; desenvolver e publicar o volume 2 da série Rumores ainda este ano (até dezembro se possível) e gostaria de fazer isso registrando aqui as pesquisas que se mostrarem necessárias à esta segunda etapa. Mas, antes que eu possa me dar este luxo, preciso registrar e organizar as minhas anotações sobre as pesquisas que realizei para o primeiro volume. E quanto a isso estou muito atrasado. Foram muitas as 3tpesquisas e sou péssimo em organização; deste modo farei breves memorandos sobre cada tópico pesquisado e tratarei de esmiúça-los conforme a disponibilidade, necessidade e inspiração se apresentarem.
Começo então falando sobre cães. Você gosta de cães? Porque eu gosto… Aliás, gosto das criaturas selvagens em geral…
Sempre fui um amante da natureza; apaixonado por sua força e por suas criaturas. Aliás, entendo muito bem o que o cacique Seatle quis dizer em sua carta ao presidente Francis Pierce com a frase “Se todos os animais acabassem os homens morreriam de solidão espiritual, porque tudo quanto acontece aos animais pode também afetar os homens“. É com enorme tristeza que ouço falar da extinção em massa que segue em curso nesta era em que vivemos e também é com enorme tristeza e certo sentimento de solidão que penso nas incríveis criaturas que já deixaram o nosso planeta. Como seria bom pensar que ainda há preguiças gigantes habitando o interior das matas amazônicas ou nas serras gaúchas – sim, haviam preguiças gigantes lá -, ou tubarões gigantes escondidos nas profundezas do oceano, ou ainda grandes mamutes, pássaros do terror, águias gigantes, o auroque, entre tantos já extintos… Quando penso que o planeta Terra está mais vazio, sinto um buraco na alma, como se ali faltasse algo sem o qual a vida torna-se menos exuberante… Ora, de fato, a exuberância da vida é a própria vida em todas as suas manifestações e formas. As criaturas selvagens são nossos companheiros neste passeio cósmico na nave Terra; e sem eles o passeio ficará silencioso e monótono… Tedioso até… E como diria Fernão Capelo Gaivota, o tédio é uma das três razões pela qual nossa vida torna-se tão curta.
Sempre tive meus sentidos capturados por qualquer noticia, texto ou programa falando sobre criaturas já extintas e que a ciência descobriu ou redescobriu conforme o caso. Estas criaturas fabulosamente reais que já nos deixaram me inspiram e talvez seja por este sentimento – um misto de assombro e tristeza –  que elas aparecem volta e meia em meus trabalhos.
Assim foi com o Molossus; um cão robusto e poderoso já extinto e que é originário da Grécia antiga. Foi utilizado por gregos e romanos como cão de boiadeiro e de combate; era posto nas arenas para combater tigres, leões, elefantes e homens. Mas não só no trabalho pesado e no entretenimento; o molossus também acompanhava aqueles povos antigos na guerra.
O poeta Grattius – contemporâneo de Ovídio – escreveu a respeito destes animais:
…quando um trabalho sério vinha, quando bravura deveria ser mostrada, e o impetuoso deus-guerra chamava no maior perigo, então você não podia deixar de admirar tanto os famosos Molossus…“.
Certamente o Molossus era um cão magnifico e que deixou vários descendentes que sobrevivem até os dias atuais.
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Na distante terra chamada Bars há cães domésticos tão poderosos e robustos como o Molossus terráqueo e, devido a suas semelhanças eu não pensei duas vezes em chamá-los também de “Molossus“. São os cães que os soldados do estado de Garun usam para acompanha-los nas batalhas; o uso de animais durante combates armados é uma das características mais marcantes do povo desta região do Império de Hudan. Ademais, em uma terra habitada por criaturas como as da extinta Mega-Fauna terrestre, não é de estranhar que as pessoas dariam cabo de adestrar cães como estes; animais fiéis, valentes e poderosos o suficiente para auxiliar as pessoas na luta pela sobrevivência, para manter os temíveis predadores afastados e para ajudá-los a pastorear herbívoros de temperamento bravio como o auroque bem como para combater outros povos. Assim, os cães molossus possuem um papel constante e importante nesta sociedade que floresce em uma região dominada pelas forças da natureza. Talvez eu venha a criar um termo mais apropriado para diferenciar o “molossus” terráqueo daquele que habita as regiões áridas de Garun; talvez algo como “molossus garunês” ou algo assim… Mas isto é algo que ainda estudo para as minhas próximas publicações.
Eu adoraria criar cães em casa e certamente me daria muito bem com eles – assim o foi em minha infância e assim o seria agora, pois me identifico com eles -, mas infelizmente minha agenda e meu pequeno apartamento – ambos bastante apertados – não são apropriados para criar nem mesmo um cão pequeno como o Chihuahua, quanto menos um cão do porte de um Molossus… E por falar em cães com o porte do Molossus, posso citar o cão Kuchi; este é possivelmente o seu descendente mais próximo e que conserva enorme semelhança com a estátua que representa o cão molossus no museu britânico.
O Kuchitambém chamado de Afghan Kuchi – é uma raça de pastoreiro originária do Afegani384px-afghan_shepherdstão. Seu nome é originário do povo nômade Kuchis. Ele pode medir de 69 a 89 cm na cernelha e pesar entre 38 e 80 kg – apenas 10 kg mais leve que eu. Não é por menos que ao ver a foto do Kuchi eu me lembro irremediavelmente e com muito saudosismo de Buck; o protagonista de “O Chamado Selvagem” de Jack London e logo uma frase vem à minha cabeça… “Aqueles homens queriam cães. Cães fortes e pesados e que conseguissem realizar a travessia das geleiras…“. Jack London ilustra muito bem nesta obra o quanto estes nossos companheiros de quatro patas são requisitados por nós humanos para enfrentar as forças da natureza desde tempos remotos.

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